Começar o ano sem plano não é liberdade. É negligência.
- Rita Maria Nunes

- 15 de jan.
- 2 min de leitura
Janeiro tem uma energia própria. Há uma sensação quase infantil de folha em branco, de recomeço, de “agora é que vai ser”. Vejo-a todos os anos nos olhos dos empresários com quem trabalho. Há entusiasmo, vontade de fazer diferente, promessas internas de mais foco, mais vendas, mais equilíbrio.
E depois há a frase que se repete, dita com um meio sorriso confiante: “Vamos arrancar e logo se vê.”
Durante muito tempo, esta ideia foi romantizada. A noção de que a improvisação é sinal de agilidade. De que planear é coisa de quem tem tempo a mais. De que a liberdade está em decidir no momento.
Mas a experiência ensinou-me outra coisa: não planear não é liberdade…é negligência disfarçada de coragem.
Quando um empresário começa o ano sem plano, não está a deixar espaço para oportunidades. Está, na prática, a empurrar decisões difíceis para mais tarde. Está a trocar intenção por reação. Está a aceitar que o negócio seja conduzido pelas circunstâncias, não pela estratégia.
Vejo isso acontecer de forma quase invisível. Janeiro passa. Fevereiro acelera. Março traz imprevistos. Abril já vem com cansaço. Quando chegam a maio, muitos empresários já não se lembram do que queriam fazer “diferente este ano”. Estão ocupados. Muito ocupados. Mas não necessariamente a avançar.
Um plano não serve para prever tudo. Serve para criar critérios de decisão. Serve para responder, com alguma serenidade, a perguntas como:
Isto aproxima-me ou afasta-me do objetivo?
Este projeto faz sentido agora?
Esta decisão está alinhada com o negócio que quero ter… ou apenas com a urgência do momento?
Sem plano, tudo parece igualmente importante. Com plano, aprende-se a escolher.
Planear não é estrangular crescimento. É proteger.
Proteger tempo, energia, dinheiro e, acima de tudo, a sanidade mental de quem lidera. Porque liderar sem plano é estar permanentemente em modo de sobrevivência, e ninguém constrói um negócio saudável a partir da sobrevivência.
Janeiro não pede pressa. Pede lucidez.
E a pergunta que deixo a cada empresário no início do ano é simples, mas desconfortável:
👉 Este ano vai ser vivido em reação… ou em direção?
— Rita Maria Nunes




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