Quando tudo é urgente, nada é estratégico
- Rita Maria Nunes

- 19 de fev.
- 1 min de leitura
Há empresas onde tudo é urgente. Emails urgentes. Clientes urgentes. Problemas urgentes. Decisões urgentes.
À primeira vista, parece dinamismo. Parece compromisso. Parece uma equipa “em cima do acontecimento”. Mas, olhando mais de perto, quase sempre é outra coisa: falta de estrutura.
Quando tudo é urgente, ninguém tem tempo para pensar. E quando ninguém pensa, o negócio entra num modo de sobrevivência permanente. Decide-se rápido, reage-se muito, planeia-se pouco. E, aos poucos, a estratégia desaparece de cena.
Vejo isto acontecer com frequência. Empresários inteligentes, capazes, experientes, mas completamente absorvidos pelo imediato. Não porque não saibam pensar estrategicamente, mas porque o sistema em que estão inseridos não lhes permite fazê-lo.
Urgência constante não é sinal de importância. É sinal de desorganização.
Processos mal definidos criam urgência. Falta de responsabilidades claras cria urgência. Decisões adiadas criam urgência. Tudo o que não é estruturado acaba por gritar mais alto e transforma-se num “para ontem”.
O problema é que o estratégico nunca grita. O estratégico sussurra. Precisa de espaço. De tempo. De silêncio. Precisa que alguém pare, observe e escolha. E isso é impossível quando o dia é consumido por fogos sucessivos.
Sempre que ouço um empresário dizer “não tenho tempo para parar”, sei que ali há um problema sério. Porque liderar não é apenas resolver. É decidir bem antes de ser obrigado a decidir mal.
Enquanto tudo for urgente, a empresa será refém do curto prazo. E negócios reféns do curto prazo não constroem futuro.
Estratégia exige menos pressa. Mais estrutura. E coragem para reorganizar a forma como se trabalha.
— Rita Maria Nunes




Comentários