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Trabalhar muito no início do ano não garante que vais ganhar mais no fim

Existe uma crença profundamente enraizada no mundo empresarial: a de que quem trabalha mais, ganha mais. É quase uma moral invisível, passada de geração em geração, reforçada por histórias de sacrifício e glorificação do esforço. 

Mas a realidade é menos romântica, e muito mais exigente. 


Ao longo dos anos, acompanhei empresários que começavam o ano a todo o gás. Horas intermináveis, fins de semana ocupados, agendas sobrelotadas. Em março já estavam cansados. Em junho, irritados. Em setembro, desiludidos. E em dezembro, a pergunta surgia, sempre com um misto de cansaço e incredulidade: “Como é que trabalhei tanto… e sobrou tão pouco?” 


Trabalhar muito não é sinónimo de trabalhar bem. E definitivamente não é sinónimo de trabalhar com lucro. 


O problema não está na dedicação. Está na ausência de uma estrutura que filtre o esforço. Sem estratégia, o trabalho espalha-se. Vai para tudo. Para todos. Para todas as urgências. E o que não é filtrado… dispersa. 


Um negócio saudável não exige mais horas. Exige melhores decisões. 


Exige saber onde colocar energia e, sobretudo, onde não colocar. Exige coragem para dizer não a projetos que parecem interessantes, mas não são estratégicos. Exige maturidade para perceber que nem todo o crescimento é bom crescimento. 


Quando o ano começa focado apenas em “fazer acontecer”, sem critérios claros, cria-se um problema sério: o esforço deixa de ser um meio e passa a ser um fim. Trabalha-se para justificar o próprio cansaço, não para construir valor real. 


O início do ano devia ser o momento de alinhar esforço com retorno. De garantir que cada hora investida tem propósito. De perceber que disciplina estratégica vale mais do que heroísmo operacional. 


Porque no fim do ano, o negócio não mede o esforço. Mede resultados. 


E trabalhar muito… só vale a pena quando se sabe porquê. 


 Rita Maria Nunes 

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