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Definir objetivos não é o mesmo que saber como lá chegar

Todos os anos, em janeiro, vejo listas bem-intencionadas a circular: 


  • crescer X% 


  • faturar mais xxxx€ 


  • contratar n colaboradores 


  • equilibrar melhor a vida pessoal!! 


  • “organizar a empresa” 


Objetivos legítimos. Alguns até urgentes, necessários e fulcrais para o desenvolvimento da empresa. 


O problema não está nos objetivos….está no vazio que vem logo a seguir! 


Porque definir objetivos é fácil. Difícil é responder à pergunta que quase ninguém faz: como é que isto vai acontecer, na prática? 


Ao longo dos anos, acompanhei dezenas de empresários que tinham objetivos claros, mas nenhum caminho definido. Sabiam o que queriam alcançar, mas não sabiam que decisões iam ter de tomar para lá chegar. E isso cria um fenómeno curioso: a sensação permanente de frustração sem conseguir apontar exatamente porquê. 


Quando um objetivo não tem plano, transforma-se numa expectativa vaga. E expectativas vagas são terreno fértil para culpa, ansiedade e autocrítica. “Não estou a fazer o suficiente”, dizem-me muitas vezes. Mas o problema raramente é esforço. É método. 


Um objetivo sem plano não orienta decisões.  Não ajuda a priorizar.  Não diz o que fazer quando surgem imprevistos. 


Por isso, na prática, o empresário continua a decidir como sempre decidiu: por urgência, por intuição, por pressão externa. O objetivo fica num papel, numa nota do telemóvel, ou numa frase repetida em reuniões. Mas não governa o negócio. 


Quando trabalho com empresários, insisto muito nisto: objetivos só fazem sentido quando se transformam em critérios de decisão. Quando ajudam a responder: 


  • Este cliente aproxima-me ou afasta-me do lugar para onde quero levar a minha empresa? 


  • Este investimento faz sentido agora, e quais tenho de deixar para depois? 


  • Este projeto merece o meu tempo, ou não vale a pena o valor/hora que consome? 


Sem isso, os objetivos tornam-se decorativos. Bonitos de dizer, inúteis de executar. 

Definir objetivos não é liderança. Executá-los com coerência é. 


E essa coerência não nasce da força de vontade. Nasce de um plano que liga o hoje ao amanhã, sem romantismos. 


 Rita Maria Nunes 

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