Definir objetivos não é o mesmo que saber como lá chegar
- Rita Maria Nunes

- há 3 dias
- 2 min de leitura
Todos os anos, em janeiro, vejo listas bem-intencionadas a circular:
crescer X%
faturar mais xxxx€
contratar n colaboradores
equilibrar melhor a vida pessoal!!
“organizar a empresa”
Objetivos legítimos. Alguns até urgentes, necessários e fulcrais para o desenvolvimento da empresa.
O problema não está nos objetivos….está no vazio que vem logo a seguir!
Porque definir objetivos é fácil. Difícil é responder à pergunta que quase ninguém faz: como é que isto vai acontecer, na prática?
Ao longo dos anos, acompanhei dezenas de empresários que tinham objetivos claros, mas nenhum caminho definido. Sabiam o que queriam alcançar, mas não sabiam que decisões iam ter de tomar para lá chegar. E isso cria um fenómeno curioso: a sensação permanente de frustração sem conseguir apontar exatamente porquê.
Quando um objetivo não tem plano, transforma-se numa expectativa vaga. E expectativas vagas são terreno fértil para culpa, ansiedade e autocrítica. “Não estou a fazer o suficiente”, dizem-me muitas vezes. Mas o problema raramente é esforço. É método.
Um objetivo sem plano não orienta decisões. Não ajuda a priorizar. Não diz o que fazer quando surgem imprevistos.
Por isso, na prática, o empresário continua a decidir como sempre decidiu: por urgência, por intuição, por pressão externa. O objetivo fica num papel, numa nota do telemóvel, ou numa frase repetida em reuniões. Mas não governa o negócio.
Quando trabalho com empresários, insisto muito nisto: objetivos só fazem sentido quando se transformam em critérios de decisão. Quando ajudam a responder:
Este cliente aproxima-me ou afasta-me do lugar para onde quero levar a minha empresa?
Este investimento faz sentido agora, e quais tenho de deixar para depois?
Este projeto merece o meu tempo, ou não vale a pena o valor/hora que consome?
Sem isso, os objetivos tornam-se decorativos. Bonitos de dizer, inúteis de executar.
Definir objetivos não é liderança. Executá-los com coerência é.
E essa coerência não nasce da força de vontade. Nasce de um plano que liga o hoje ao amanhã, sem romantismos.
— Rita Maria Nunes




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